domingo, 6 de setembro de 2009

Ele sem pausas

Por Patrick Moraes

Foi quando ele saiu daquela casa, quando nem ele mesmo sabia o que estava fazendo. Mas queria sair, queria liberdade, queria chance de felicidade. Viu necessidade de crescimento, viu vantagem em se desprender de certos laços. Apertado, sufocado, quase asfixiado, ele não queria subir a escada branca todo dia e dar adeus no portão de ferro. Ele até queria o sofá azul da sala de estar, o banheiro azulejado de branco e a cama com colcha laranja. No final, só ficou a cama, sem a colcha laranja que ele tanto gostava. Ele não queria dançar sozinho, ele queria a pista de dança completa, com mais gente do que cabia. Queria sedução, queria romantismo, queria encantamento. Cansou de tanta rotina, de tanta desilusão, de tanta vida alheia. Ele não queria mais calor, mesmo apaixonado pelo sol. Ele queria ser amante do frio e se esquentar em outros corpos, em outras camas. Ele não gostava da lei, sabia que mais cedo ou mais tarde a única regra que valia era a do mais forte e ele era fraco. Sabia enfrentar, sabia gritar, sabia dizer o que não queria, mas não sabia se defender.

Querer sempre foi o pedaço de coragem que o levava as decisões mais audaciosas. Mesmo assim ele quis. Quebrou elos, esqueceu pessoas; deu um passo, voltou outro; soube esperar o caminho ser montado. Percebeu que era difícil ser ele, gostar como ele e ser feliz. Aprendeu que o tempo é aliado de quem sabe compreender os minutos, aproveitar os segundos e perceber que os dias mudam conforme a necessidade. E foi na manhã de sol, aquele mesmo que ele era apaixonado, na qual ele deu o passo final. Já não era mais o carro, já não tinha mais a mão do lado, já se via em meio a tudo que o fazia bem. Apaixonou. Correu de volta, gritou "Sim!" e começou a montar a ponte. Novas pedras, novas quedas, novos começos. E quantos começos ele pensou em construir, mas viu o quê de tudo isso no final de um só.

E assim ele continua a dançar na corda, a sonhar nas nuvens, a construir castelos de areia, a andar com fé. A sequência dos fatos de uma narrativa que terá fim. Mas antes desse fim, a sequência de amores perdidos, de batalhas vencidas e do maior presente: o sorriso que o faz ser mais completo!

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